Como Avaliar o Investimento em PLM?

Muito tem se falado sobre as maravilhas da transformação digital e como a Indústria 4.0 veio para ficar, prometendo mais lucratividade às empresas. A onda da Indústria 4.0 acumula uma quantidade cada vez maior de soluções, tecnologias e fornecedoresPortanto, sob a perspectiva dos tomadores de decisão, estamos falando em novas variáveis que tornam o processo decisório mais complexo.  

Seja qual for a solução adotada, a sua avaliação de viabilidade econômica costuma passar por métodos como: Valor Presente Líquido (VPL); Tempo de Retorno (Payback); Retorno Sobre Investimento (ROI)Taxa Interna de Retorno (TIR); entre outros. 

Mas o que fazer quando a quantificação do retorno não é óbvia? Algumas experiências vieram à mente? Exemplos: 

  • Trocar CAD 2D para CAD 3D 
  • Adotar métodos construtivos industrializados 
  • Adquirir armazenamento em nuvem para toda a empresa 
  • Contratar avaliações 360° e serviços de coach empresarial 
  • Implementar um ERP 
  • Implementar um PLM  

Você consegue quantificar rapidamente o retorno de cada um destes exemplos?  

No decorrer deste artigo, vamos tratar do último exemplo, a implementação de um PLM (Product Lifecycle Management). Para isso, precisaremos esclarecer três termos relevantes: PLM; valor percebido pelo consumidor; e cocriação de valor. 

PLM 

Ao falar em PLM, usa-se a analogia de que a plataforma atua como espinha dorsal para a transformação digital. Sua implementação costuma nascer no departamento de desenvolvimento de produtos, que passa a ser o coração da plataforma 

 

VALOR PERCEBIDO PELO CONSUMIDOR 

termo valor é empregado de forma ampla em contextos distintos. Por exemplo, na frase: 

 

  • Pode-se afirmar que ao entregar valor superior aos consumidores de alto valor, aumenta-se o valor da organização.  

 

Cada um dos termos adotados segue uma perspectiva distinta, sendo os dois últimos relacionados à organização, enquanto valor para o consumidor refere-se àquilo que o consumidor quer e acredita conseguir ao adquirir produtos ou serviços da organização1. 

O conceito de valor para o consumidor pode ser definido com a equação²: 

 

Valor (para o consumidor) = Benefícios percebidos – Custos percebidos 

 

Dessa equação, percebe-se que o ganho de valor está atrelado a um acréscimo nos benefícios percebidos pelo consumidor, ou à redução do custo dos produtos e serviços ofertados. 

 

COCRIAÇÃO DE VALOR 

O crescimento da complexidade de soluções e necessidades demanda um processo onde o valor deixa de ser meramente comunicado pelos fornecedores. Para soluções como o PLM, cada indústria terá suas peculiaridades e divergências no peso do valor gerado por cada benefício. 

Em cenários como estes, o mercado deixa de ser visto como um espaço exclusivo para trocas de mercadorias e passa a agregar trocas de experiências e criação de valor conjunta, ou seja, o consumidor deixa de ser passivo para atuar junto aos fornecedores na definição e resolução de problemasA esse processo de criação de valor conjunta entre consumidor e fornecedor, dá-se o nome de cocriação de valor. 

 

COMO AVALIAR A VIABILIDADE DE UM PLM? 

A sugestão da APS3 para avaliar a viabilidade de um PLM é composta por seis etapas: 

 

  1. Identificar a necessidade de um PLM

 

A identificação da necessidade de um PLM pode ser feita de diversas maneiras: sites especializados, cursos, artigos, contato com fornecedoresvídeos, etc.

 

2. Entender a configuração ideal e benefícios

 

Após entender que o PLM é uma solução interessante para a sua empresa, recomenda-se um aprofundamento do entendimento junto ao seu fornecedor PLM. Neste processo de cocriação de valor, deve-se buscar entender qual a configuração ideal, os benefícios e os custos (valor percebido). Nesta fase, não se restrinja ao pensamento de que PLM é exclusivo das mega corporações. Quando o assunto é o Teamcenter da Siemens, é possível combinar os módulos com os maiores benefícios para a sua empresa. Em outras palavras, o Teamcenter é um PLM modular e acessível. 

Na APS3, chamamos a etapa de identificação da configuração ideal e benefícios de Assessment. Em conjunto com a direção da empresa cliente, definimos um cronograma de entrevistas com pessoas chave de diferentes setores. Ao longo das entrevistas, criamos um entendimento de quais os pontos que deverão ser focados para que a solução PLM seja eficaz, possivelmente com uma visão futura quando módulos adicionais se fizerem necessários. 

 

       3. Listar os principais benefícios 

 

Após o Assessment, nossa equipe prepara um documento com os principais benefícios percebidos para o cliente, ainda em caráter qualitativo. Confira a seguir alguns exemplos de benefícios que podem ser obtidos com um PLM: 

  • Garantir a conformidade do projeto 
  • Acelerar o desenvolvimento 
  • Integrar engenharia com outros setores e sistemas 
  • Reduzir erros e retrabalhos 
  • Reduzir atrasos e aumentar a qualidade 
  • Aumentar a colaboração entre equipes 
  • Facilitar busca por informação 
  • Integrar diversos softwares ECAD e MCAD 
  • Automatizar processos 

 

       4. Quantificar, se possível, os principais benefícios 

 

Nesta etapa, o foco da quantificação costuma ser a transformação dos ganhos de eficiência (redução de tempo) das equipes em dinheiro. Isso pode ser feito com base em benchmarks e informações específicas de cada empresa. 

Exemplo: a empresa conta com 5 engenheiros de produto, cujo salário mensal soma R$60.000. Constatou-se que eles passam 20% do seu tempo buscando e acessando dados. Supondo que com a implementação do Teamcenter esse tempo seria reduzido pela metade, temos: 

  • R$60.000 x 20% = R$12.000 (custo mensal com busca e acesso de dados) 
  • R$12.000 x 50% = R$6.000 (redução do custo com horas buscando e acessando dados) 

Perceba que essa redução de R$6.000 não irá de fato ocorrer, pois os 5 engenheiros permanecem em seus cargosEm contrapartidaapós a implementação do PLM, os engenheiros terão 10% do seu tempo livre para dedicar a atividades estratégicas que gerem valor para a empresa. 

Em seguida, faz-se o mesmo processo de quantificação para os demais benefícios que se mostrarem relevantes para a empresa. 

 

       5. Avaliar os benefícios qualitativos 

 

Para um PLM, apenas uma parte dos benefícios poderá ser transformada em retorno financeiro. Afinal, quantificar um benefício pode se tornar uma tarefa realmente trabalhosa e complexa por motivos como: 

  • Alta quantidade de envolvidos / dependências externas 
  • Dificuldade/esforço necessário para coleta de informações 
  • Intangibilidade do benefício (ex: status perante a concorrência) 

Isso não significa que basta uma análise de viabilidade econômica fundamentada em benefícios quantificáveis. Muito pelo contrário, benefícios qualitativos podem ser divisores de água durante o processo de decisão. 

Sendo assim, os benefícios qualitativos contam com espaço importante em nossas apresentações devolutivas para análise de viabilidade. 

 

       6. Equacionar viabilidade 

 

Primeiro, faz-se o cálculo da viabilidade econômica por meio de análises tradicionais de investimento, tais comoVPL; Payback; ROI; TIR; entre outros. Para aprofundar o assunto, recomendo a leitura do livro: Decisões Financeiras e Análise de InvestimentosAlceu Souza & Ademir Clemente. 

Nas receitas geradas pelo investimento em PLM (entradas), coloca-se os retornos calculados para os benefícios quantificáveisO investimento (saída) é para o PLM Teamcenter composto por três partes: 

  • Software (pode ser recorrente ou não) 
  • Serviço (não recorrente) 
  • Manutenção e Suporte (recorrente) 

Em seguida, os benefícios qualitativos e as análises quantitativas são reunidas e discutidas com os decisores para definição sobre a viabilidade do investimento. 

 

CONCLUSÃO 

A análise de viabilidade de um PLM passa por um processo conjunto entre fornecedor e consumidor. Como cada consumidor possui características únicas, tal interação é fundamental para que haja um consenso sobre qual é a configuração ideal e como o PLM entregará valor ao consumidor.   

Definido o valor, ou seja, os principais benefícios que serão entregues e o investimentoparte dos benefícios poderá ser transformada em retornos financeiros para compor análises tradicionais de viabilidade econômica. A outra parcela dos benefícios, cujo retorno permanece qualitativo, deve ser analisada paralelamente para que os decisores tenham um panorama completo do valor que será entregue. 

Pronto, o processo de análise de viabilidade econômica do PLM está concluído! 

 

Quer avaliar a viabilidade do PLM para a sua empresa? Clique aqui! 

 

[1] WOODRUFF, R. B. Customer Value: The Next Source for Competitive Advantage. Journal of the Academy of Marketing Science, v. 25, n. 2, p. 139-153, 1997.

[2] CHURCHILL, G. A.; PETER, J. P. Marketing: criando valor para o cliente. Tradução Cecília Camargo Bartalotti e Cid Knipel Moreira. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2000.

Sobre o autor:

Eduardo Werneck Senger atua como consultor PLM na APS3. Sua formação é em engenheiro civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com passagem pelo Karlsruhe Institute of Technology (KIT). Fez MBA pelo Senai em gestão e Mestrado pela UFPR em Gestão com foco em análise de valor percebido por consumidores. 

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